dynTypo is a collection of work and research by various designers, programmers and artists interested in the possibilities of dynamic and interactive typography in the multimedia arts scene. Much of this work manifests itself as digital artwork, or online interactive experiences. Hence the creation of this research web site. At this stage, the possibilities of dynamic and/or interactive typography are still being explored by academic, creative and commercial sectors, but there seems to be a mutual understanding that this new form of creativity plays an important role in exploring new areas of work and art.
#
28.9.05
Typotheque is a type foundry based in The Hague, the Netherlands, developing and marketing original fonts for the Mac and PC in Western, Central European (CE), Greek, Cyrillic as well as OpenType Std and OpenType Pro encodings. Our commitment is to continue the traditions of independent type foundries, contributing our tiny bit to the continuous sequence of history of typography, creating quality typefaces that reflect our time and serve its needs.
#
28.9.05
WolframTones works by taking simple programs from Wolfram's computational universe, and using music theory and Mathematica algorithms to render them as music. Each program in effect defines a virtual world, with its own special story--and WolframTones captures it as a musical composition.
#
28.9.05
Visões perigosas : uma arque-genealogia do cyberpunk
Esse trabalho trata dos conceitos de cyberpunk enquanto um modo de ser da cibercultura. Seu principal objetivo é apresentar o cyberpunk como um subgênero e uma subcultura híbrida que se encontra no âmago de um imaginário tecnológico. As categorias de arqueologia e genealogia de Nietzsche e Foucault foram utilizadas com o intuito de investigar a comunicação como uma rede de forças de diferenças e similaridades que acontecem no desenvolvimento do conceito, do movimento literário ao fenômeno da cultura pop. O cyberpunk é um subgênero cuja tradição é herdada das visões obscuras e distópicas do romantismo gótico, e sua atitude origina-se de um passado de contracultura. Nesse contexto, o escritor norte-americano de ficção científica Philip K. Dick (1928-1982) é “transformado” em um visionário proto-cyberpunk, através das adaptações cinematográficas de suas obras (Blade Runner, Total Recall e Minority Report). A análise das temáticas do corpo, do personagem e da cidade aliadas ao technoir dos filmes, mostra o cyberpunk como um modo estético da cibercultura, ilustrando assim os seus diferentes conceitos. Uma visão de mundo que pode ser relacionada à arte, à cultura e à tecnologia; assim como aos desdobramentos em subculturas hacker e industrial.
download
#
27.9.05

Introducing the next generation video instrument. The Tactic m2 is the most comprehensive all-in-one solution for professional real-time video performance and composition. Tactic's hybrid solution generates high quality real-time video performances by combining video triggering, scratching, source mixing, and live camera manipulation, to give you total control over hundreds of effects.
#
24.9.05
Scratching: it's not just for DJs. It's a musical instrument taught at the Berklee College of Music. Using a product like Final Scratch, you can use turntable scratching as an interface to your computer. Using the more affordable Ms. Pinky, you can even interface with video apps and control Max/MSP and Jitter. Pink looks equally good on boys and girls, as you can see. It's new black, or, uh, whatever.
create digital music
#
24.9.05
In this networked age, the printed textbook has likely reached the end of its useful life cycle, but a robust digital competitor has yet to emerge. The next\text project seeks to encourage the creation of born-digital learning materials that enhance, expand, and ultimately replace the printed textbook. The work presented here offers multiple visions of what might be possible.
#
24.9.05
textually.org is all about text messaging and how cell phones are being used around the world
#
24.9.05
X-Session
The future of DJing in a digital world
Cut and scratch on your PC or Mac with the world's first USB DJ mixer and software solution
Take your DJing forward into the digital world with the complete computer based DJ solution which includes the X-Session USB DJ mixer, Ableton Live XS digital audio workstation and Arturia Storm XS virtual studio.
Designed for the new breed of DJ to mix on PC or Mac. X-Session has a classic full-size crossfader for cutting and scratching, 16 assignable rotary controllers for pitch-shifting, tweaking Delay/EQ/Filter/Distortion/Flange, 10 assignable buttons for triggering loops, grooves, digital effects and killing tracks plus stacks more cutting-edge features which will take your DJing into the future.
This USB controller also provides finger-tip control for a whole host of popular software plug-ins and virtual instruments, eliminating the frustrations of trying to use a mouse. Fast and precise control is provided by the 16 fully assignable high resolution controllers. Each of these controllers can be assigned to a different MIDI channel which means that multiple plug-ins can be controlled on separate channels. Synths and modules can also be controlled via the standard MIDI Out socket. X-Session has 10 memory locations for storing your settings. These are non-volatile too, so everything is saved even when the unit is powered off.
evolution
#
23.9.05
O site Cafetina Eletroacústica nasceu da vontade de dois músicos, apaixonados por linguagem eletrônica e pista, de traçarem um debate sobre música eletrônica e música eletroacústica. A proposta do conteúdo é eclética, trazendo desde matérias sobre festivais e shows que estão acontecendo no momento, lançamentos de cds, até textos com uma perspectiva mais histórica sobre a música eletrônica e a eletroacústica.
Para complementar o ecletismo da proposta do site, seus colaboradores tem diferentes formações, como jornalismo, filosofia, música, produção e DJing, e participam da cena eletrônica em diferentes cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Brasília e Belo Horizonte.
#
22.9.05
A Faísca Publicações Libertárias é uma editora que tem como objetivo a publicação de livros que ajudem nas discussões do anarquismo e que estimulem sua promoção. Dando ênfase às abordagens contemporâneas, publicamos textos novos e históricos, de autores renomados e menos conhecidos. Não nos resumimos à publicação de escritos anarquistas, mas de tudo aquilo que, em certo sentido, contribua com o pensamento libertário e que sirva de inspiração para as ações em sentido de combater o capitalismo e o Estado.
#
17.9.05
O princípio de estruturação da obra
"Deste modo, o objeto do estudo literário não é a literatura, mas a literariedade, isto é, aquilo que torna determinada obra uma obra literéria. E no entanto, até hoje, os historiadores da literatura, o mais das vezes, assemelham-se à polícia que, tendo por finalidade prender determinada pessoa, tivesse apanhado por via das dúvidas, tudo e todos que estivessem num apartemanto, e tembém os que passassem casualmente na rua naquele intante. Tudo servia para os historiadores da literatura: os custumes, a psicologia, a política, a filosofia. Em lugar de um estudo da literatura, criava-se um conglomerado de disciplinas mal acabadas. Parecisa-se esquecer que estes elementos pertencem às ciências correspondentes: História da filosofia, História da Cultura, Psicologia, etc. e que estas últimas podiam, naturalmante, utilizar também os momentos literários como documentos defeituosos e de segunda ordem. Se o estudo da litratura quer tornar-se uma ciência, ele deve reconhecer o 'processo' como seu único 'héroi'."
Roman Jakobson
Lingüística. Poética. Cinema. São Paulo: Perpectiva, 2004, p.178
#
15.9.05

The University of Electro-Communications in Tokyo has developed Augmented Coliseum, an amazing (just have a look at the video) augmented reality game environment that enables virtual functions for playing a game using small robots and vehicles, superimposing computer graphics onto toys in the real world.
#
14.9.05
What happens when you take the medium of traditional Television Broadcasting and combine it with the much less traditional medium of the Internet? Well, you'll probably end up with a television set for the new millennium, you'll definitely end up with something new and edgy, and you're going to end up here at CultureTV!
#
13.9.05
Junte duas pitadas de blogue. Adicione arquivos de vídeo a gosto. Misture antes de salvar. Essa é a receita do vlogue, um derivado dos blogues, que ganha novos temperos, conforme aumenta a largura de banda na internet e em sintonia com a disseminação de celulares multimídia e câmeras de vídeo digital baratas.
#
13.9.05
LibriVox is an open source audio-literary attempt to harness the power of the many to record and disseminate, in podcast form, books from the public domain. It works like this: a book is chosen, then *you*, the volunteers, read and record one or more chapters. We liberate the audio files through this webblog/podcast every week (day ?).
#
13.9.05
The idea of DNA music has been brought to our attention before. Stanza’s excellent Genomixer site explores this paradigm with the Mutator, a nucleic sound system, and a set of open source DNA sound generators.
DNA synthesis is one thing, but what about neuron synthesis? Check out the Resonator Neuronium, a strange synth using six ‘interconnected analogue neurons’ to generate music. Retrothing has got it spot on – ‘Imagine a robot ant playing the best of Tangerine Dream!’
If you don’t have the money to get into ‘resonant neuron synthesis’, Repeatwhiletrue informs us that two classic virtual analogue synths (that I’ve had a lot of fun with in then past) are now available for free!
#
11.9.05
Dirigeable is an invitation to travel in a world of artificial creatures.
These numeric creatures, graced with intelligence group together and generate organized sound, a kind of sonorous language.
The story which develops in front of us is the fruit of a multitude of events that lead to a permanent and ever-evolving writing.
Today these creatures have begun to recognize each other and embryonic groups are forming.
Soon to be supplied with characters, a simple society will be constituted of groups exchanging sound-languages, reflection of their relationships.
In order to open up this system to experimentation and sonorous creation, ten-some residences of European musicians are in the planning. Each of these residences will be an occasion to invent new esthetics and to experiment the system.
#
11.9.05
Inspired by primitive life, Public Anemone is a robotic creature with an organic appearance and natural quality of movement. By day, Public Anemone is awake and interacts with the waterfall, pond, and other aspects of its surroundings. It interacts with the audience by orienting to their movements using a stereo machine vision system. But if you get too close, it recoils like a rattlesnake.
#
11.9.05
FontanaMixer is a generative sound environment based on John Cage's conceptual piece "Fontana Mix" (1958) which can be seen as a set of instructions for creating any number of compositions. The "score" supplies a number of transparent foils with dots, lines and graphs which have to be overlapped in random positions and placed over a page that contains 6 curved and intermingled lines. By measuring positions of crossing lines one will obtain 6 parameter values which are needed to determine a single sound event.
#
11.9.05

Several phylogenetic visualization prototypes, including a hyperbolic tree browser, a spherical network & several tree diagrams, that display data from the tree of life web project, a collaborative effort of biologists from around the world that attempts to provide information about the diversity of organisms on Earth, their evolutionary history (phylogeny) & unique characteristics.
#
11.9.05

a collection of musical audio pieces, accompanied by various animated graphics, which are based on 'sonified weather patterns'. four daily weather elements (barometric pressure, high temperature, minutes of sunshine & daily precipitation) over the span of about five years (about 1,800 days) are mapped to specific notes & played by various musical instruments speeded up 675,000 times (or about 1,800 days in 4 minutes). the higher the pitch, the more of the element (e.g. higher temperature or more precipitation) there is. even though the initial intent was to simply hear weather patterns, not to create music, the results are surprisingly musical & have been reviewed & played on radio. currently shown at Northwest Museum of Arts & Culture.
#
11.9.05
Kiitemoiide-TUNE is a new device which can listen to the conversation at the party, and feel the atmosphere of the table.This media adds a new experience of communication by feeling the atmosphere of the place to a party which the conversation was the main communication. The social occasion such as a party should be a place, which we can not only communicate directly, but also enjoy them by feeling the atmosphere of the place.The participants of the party can enjoy them by just being at the site, and listening to the conversation of other people around.A person who is not good at talking to someone new tends to wait for social intercourse by feeling the atmosphere of the party.We then thought that we need a media to a respect such human emotion, and augment the experience to feel the sense of ambience of the party.Therefore we will suggest a new media called Kiitemoiide-TUNE.
#
11.9.05
Talking Lights System is a powerful and inexpensive way to enable context aware computing, a new technology that makes it possible to associate information with specific locations in a building and then use that information to guide, monitor and get information to people as they move from place to place.
This new communication technology takes an essential part of every building – lighting – and uses it to communicate information that can be heard through an earpiece, seen on a hand-held computer, or processed as data or control signals.
#
10.9.05
Demoscene is a computer subculture that came to prominence during the rise of the 16 bit micros (the Atari ST and the Amiga), but demos first appeared during the 8-bit era on computers such as the Commodore 64 and ZX Spectrum.
Demos began as software cracker's "signatures". When a cracked program was started, the cracker or his team would take credit via an increasingly impressive-looking graphical introduction called a "cracktro". The first time this appeared was on the Apple II computers in the late 1970s and early 1980s. Later, these intros evolved into their own subculture independent of cracking software. These were not initially called demos but rather letter, message, et cetera. Ironically, quite a few of the young talents that spent their time "coding" demos and thus gaining in-depth experience programming computer graphics later ended up working in the games industry, whose products they had initially cracked.
The main aim of a demo is to show off superior programming, artistic and musical skills over other demo groups.
wikipedia
#
8.9.05
xplsv is a spanish vj / creative crew. Enhanced club visuals (real time generated graphics), vj-sets, dj-sets, music composition, video experimentations and developing our own vjtool neon are some of the things where we spread our time.
#
8.9.05
Scene.org is a non-profit organization aimed at providing the 'electronic art scene' with a forum for communication and for sharing their work.
#
8.9.05
Biofeedback Music is a research project in which we combine music with technology, using the music as a means for relaxation. In one part of the project we are searching for relations between emotional states and musical parameters.
#
6.9.05
Ephemeral Gumboots is a human/computer-dance/music interactive system. Real-time rhythmical input from a dancer into a program ‘humanises' electronic beat-driven music while at the same time the dancer is exposed to a complex and diverse palette of prepared musical samples.
#
6.9.05
A tradição remixada
Assim como sistemas de cotas reinventam a idéia e a percepção de raça em sociedades mestiças, há uma discussão na Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Ompi) para reinventar o conceito de propriedade intelectual, tornando-o aplicável a conhecimentos e expressões culturais tradicionais. Trata-se da discussão para a elaboração de um tratado internacional para regular globalmente o regime de "propriedade" a ser aplicado sobre os conhecimentos tradicionais.
Essa discussão é vista por uma série de países em desenvolvimento como uma possibilidade de contrabalançar os pesados efeitos uniformizadores impostos pela Organização Mundial do Comércio (OMC) a partir de 1995, com a adoção do chamado Acordo Trips.
Pelo Trips, todos os membros da OMC ficaram obrigados a estabelecer padrões mínimos de proteção à propriedade intelectual, a partir de um modelo único. Países sem qualquer tradição na área, sobretudo na Ásia e na África, viram-se obrigados a adotar repentinamente um sistema com o qual não tinham nenhuma familiaridade anterior.
As preocupações que justificam a realização de um tratado internacional protegendo os conhecimentos tradicionais são louváveis. Elas incluem pelo menos dois aspectos: evitar a concessão de patentes sobre conhecimentos tradicionais para pessoas que não sejam parte das comunidades que os desenvolveram; e evitar a utilização de conhecimentos tradicionais sem o consentimento das comunidades que os originaram e sem o compartilhamento dos benefícios com essas comunidades.
O problema com essas preocupações é que elas têm levado diversos grupos de interesse, tanto em países "desenvolvidos" quanto nos "em desenvolvimento", a convergirem em torno de um sistema de "imitação" da propriedade intelectual tradicional, neste caso, aplicada aos conhecimentos tradicionais.
Imitação
O caso paradigmático que orienta as discussões da Ompi aconteceu com a banda de música eletrônica Deep Forest. Seu álbum de estréia, datado de 92, trazia trechos do canto tradicional chamado "Rorogwela" das Ilhas Salomão. Segundo a tradição, a canção era entoada pelo irmão mais velho de um órfão, pedindo para que a criança menor parasse de chorar, já que os pais haviam morrido e ninguém a ouviria. O trecho foi obtido de gravações feitas pelo etnomusicólogo suíço Hugo Zemp, em projeto da Unesco de 1973, e foi incluído na faixa chamada "Sweet Lullaby" (algo como doce canção de ninar), que se tornou um hit da "ambient music".
O caso gerou uma controvérsia que se arrastou por anos. O Deep Forest foi acusado por Zemp de "usurpação" e "pilhagem" da cultura tradicional das Ilhas Salomão. A resposta da banda foi que, se assim fosse, também [o compositor alemão Johannes] Brahms [1833-1897] deveria ser considerado usurpador, por ter se apropriado de diversas melodias ciganas na sua música.
O caso comove corações e mentes em todo o mundo. O que interessa nele é como denota de maneira precisa a visão que predomina nos principais organismos internacionais quando discutem conhecimentos tradicionais. Trata-se de uma mesma visão: o país rico, em geral ocidentalizado, apropriando-se dos conhecimentos produzidos pela comunidade tradicional, sem pedir autorização ou com ela repartir benefícios. Termos ligados à idéia ocidental de "propriedade" como "usurpação" e "pilhagem" surgem, assim, facilmente na discussão.
Antropofagia
O que importa aqui é notar como esse enfoque é em si uma expressão de unilateralismo, avesso ao pluralismo e à real complexidade existente. Tal visão desconsidera que grande parte das "apropriações" de conhecimentos tradicionais se dá não a partir de países ricos sobre países pobres, mas sim entre duas ou mais comunidades tradicionais ou por parte de comunidades tradicionais sobre países ricos, ação transcultural tão bem elogiada no Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade. Não custa nada lembrar: "Só interessa o que não é meu. Lei do Homem. Lei do antropófago".
A lógica ocidental do artista rico apropriando-se do conhecimento da comunidade pobre e ganhando dinheiro com ela não pode servir de padrão único para a criação de um tratado para a proteção dos conhecimentos tradicionais, destruindo a possibilidade das diversas "antropofagias", remixagens e apropriações que enriquecem a vida cultural planetária. Vejam-se, por exemplo, os inúmeros casos de trocas/"comércios" de tradições entre os povos indígenas brasileiros, documentados por Manuela Carneiro da Cunha e vários outros antropólogos, resultados de processos complexos que tornam vãs todas as tentativas de se estabelecer com precisão o que é de uma "tribo" ou de outra, ou de se estabelecer as fronteiras culturais entre os vários povos e suas identidades. Ou casos ainda mais distantes do enfoque ocidentalizado que predomina nessa discussão, como o da banda Xplastaz, que tem entre seus integrantes cantores e dançarinos da etnia maasai da Tanzânia. A banda "apropriou-se" da tradição do hip hop norte-americano, criando o fenômeno do hip hop maasai (www.xplastaz.com).
Dificilmente alguma associação representando o hip hop norte-americano conceberia a idéia de processar os maasai pela apropriação de sua cultura e práticas tradicionais. Afinal, sua arte de mixar usando toca-discos é indissociável das condições socioculturais forjadas ao longo de anos dada a presença negra nos Estados Unidos.
O problema estaria então na definição do que vêm a ser "conhecimentos tradicionais".
E nesse sentido, nenhuma das definições de trabalho adotadas no âmbito da Ompi excluem com clareza o hip hop, ou mesmo a tradição jazzística nos EUA, de sua abrangência. Aliás, a própria definição de conhecimentos tradicionais é possivelmente o tópico mais controverso dentro da Ompi, sendo objeto de infindáveis debates. Nesse sentido, o uso da tradição do jazz feita por Abdullah Ibrahim na África do Sul poderia ser tão grave quanto o uso do canto das Ilhas Salomão feito pelo Deep Forest.
Seria então sócio-econômica a única definição possível para conhecimentos tradicionais? Seria esse um conceito/instrumento forjado para proteger os pobres contra a apropriação feita pelos ricos? O paradoxo é constatar que mesmo que a resposta seja sim, a solução que vem sendo proposta é emular o regime da propriedade intelectual ocidental, forjado em uma Europa novecentista. Regime este que hoje sequer resolve os clamores por acesso ao conhecimento e democratização da informação em todo o mundo. É como se disséssemos que a tradição é importante, mas no fundo, ela só pode ser preservada se tratada como propriedade, como produto, conceitos ocidentais e não-tradicionais...
Entretanto nem toda a discussão sobre conhecimentos tradicionais gira em torno da expansão do regime da propriedade intelectual sobre as culturas tradicionais. Existe um aspecto muito importante, defendido por países como o Brasil e a Índia, que enxerga nos conhecimentos tradicionais uma forma de impedir esse expansionismo.
Trata-se da criação de mecanismos para impedir a "apropriação" dos conhecimentos tradicionais, não estendendo sobre eles o regime da propriedade intelectual, mas sim impedindo que qualquer pessoa se arrogue direitos de propriedade sobre eles.
O principal exemplo diz respeito à criação de uma obrigatoriedade de informação da origem nos casos de pedidos de patente que possam envolver conhecimentos tradicionais. Isso obrigaria qualquer pedido de patente a dizer onde obteve os conhecimentos que levaram à configuração do pedido. Se houver conhecimentos tradicionais envolvidos, a patente não pode ser concedida. Da mesma forma, conhecimentos tradicionais podem servir de base para a anulação de patentes já concedidas, uma vez descoberto o fato de que ou a patente neles se baseou ou o conhecimento tradicional já era estabelecido quando do pedido de patente. Esse outro enfoque para os conhecimentos tradicionais, ao contrário do primeiro, funciona como impeditivo da apropriação e não como veículo de expansão da idéia de propriedade.
Uma das grandes expectativas das comunidades tradicionais com a proteção dos seus conhecimentos por um regime que emule a propriedade intelectual tradicional é quanto à obtenção de vantagens econômicas a partir deles. Isso traz pelo menos dois problemas. O primeiro é que tal expectativa cria uma hierarquia entre os diversos tipos de conhecimento. O risco é que aquele tipo de conhecimento que traz vantagens econômicas seja sobrevalorizado ou artificialmente insuflado pela comunidade, em detrimento de outras práticas irrelevantes economicamente. O segundo problema é que a expectativa de remuneração econômica não passa de uma quimera.
A maioria esmagadora das comunidades tradicionais não irá receber qualquer remuneração significativa por seus conhecimentos tradicionais. Na maioria das vezes, a necessidade de consentimento prévio para divulgação irá sim aumentar o isolacionismo e dificultar que as culturas tradicionais tornem-se sequer conhecidas fora de suas comunidades. Afinal, para quem pedir a autorização? Isso tudo caminha na contramão da construção de uma cultura colaborativa global que pode mostrar-se muito mais eficaz em termos de obtenção de vantagens simbólicas e econômicas. Trata-se do fato de se explorar a natureza "livre" dos conhecimentos tradicionais como sua maior riqueza.
Cultura livre
A cidade de Olinda deu início, em agosto deste ano, a um programa que tem por objetivo propor uma nova política de gestão da cultura. A idéia é documentar e tornar publicamente acessíveis, em regime livre, aspectos da cultura tradicional da cidade.
Dentre outros, a cidade irá documentar seu patrimônio histórico, suas festas populares, incluindo o carnaval de rua, as artes plásticas da cidade, sua música (como o côco-de-roda) e o teatro popular, licenciando o produto desta documentação por meio de licenças "Creative Commons". Essas licenças concedem o direito a qualquer pessoa em todo o mundo de livremente circular, copiar, distribuir e em alguns casos modificar a obra, sem a necessidade de autorização prévia.
Olinda pretende, assim, ocupar os espaços simbólicos globais com sua cultura. E a ferramenta para tanto é a generosidade intelectual, conceito cada vez mais em voga mesmo em meios empresariais, tanto que foi destaque na revista "Business Week" (que não pode ser de maneira nenhuma ser acusada de anticapitalismo) de julho, que a aponta como a mais empolgante nova força motriz de geração de riquezas. E o objetivo é exatamente esse, conteúdo produzido localmente sendo distribuído, copiado e remixado globalmente.
Outras experiências incluem o projeto de cooperação entre o Brasil e África, patrocinado pela Fundação Ford e desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas, que vislumbra a remixagem de música tradicional brasileira por parte dos sul-africanos e vice-versa.
São esses modelos de gestão, que contribuem para um movimento de integração global efetivamente cultural e simbólico, e não só econômico, que são postos em risco com enfoques como esse que prepondera nas discussões da Ompi.
Se a discussão continuar no rumo em que se encontra, é possível que a cantora cingalesa M.I.A. tenha de pedir licença aos funkeiros cariocas para utilizar o seu know-how, como fez em seu recém-lançado disco. A situação se complica ainda mais quando o DJ Marlboro, que sempre sampleou outras músicas para criar seus pancadões, agora se apropria e remixa o remix feito pela M.I.A., criando algo novo. Quem se apropria de quem? As tradições sobrevivem justamente porque são permanentemente reinventadas. Atribuir a elas o status de "propriedade" interrompe esse movimento, isola o que está vivo.
Hermano Vianna e Ronaldo Lemos
#
5.9.05
d!sturbances was an opportunity for Nordic visual, sound and performing artists to participate in a series of innovative cross-over events. It was also a chance for the public to witness rare collaborations between artists of many disciplines.
#
5.9.05
World Changing works from a simple premise: that the tools, models and ideas for building a better future lie all around us. That plenty of people are working on tools for change, but the fields in which they work remain unconnected. That the motive, means and opportunity for profound positive change are already present. That another world is not just possible, it's here. We only need to put the pieces together.
#
2.9.05
YOMANGO is a brandname which like all other major brandnames is not so much about selling concrete stuff, but more about promoting a lifestyle.
#
1.9.05

Às margens de um riacho dietético,
uma borboleta cibernética
intercepta um besouro tecno-rítmico:
afago rápido no espaço hipercrítico.
wladimir cazé
#
1.9.05














